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Se existe uma empresa brasileira que exemplifica o termo “potência global”, essa empresa é a JBS. Com o ticker JBSS3 (e agora também representada por BDRs na B3 através da JBS N.V.), a companhia deixou de ser um frigorífico regional para se tornar a maior produtora de proteínas e uma das maiores indústrias de alimentos do mundo.
De um Abatedouro em Goiás para o Mundo
A trajetória da JBS começou em 1953, quando José Batista Sobrinho fundou um pequeno abatedouro em Anápolis (GO). Com o passar das décadas, a visão de crescimento orgânico e aquisições estratégicas permitiu que a empresa escalasse de forma sem precedentes.
Consequentemente, essa expansão transformou a JBS em uma gigante multicarne e multiproteína. Hoje, a companhia é:
- Líder Mundial em Carne Bovina: Com operações no Brasil, EUA, Austrália e Canadá.
- Líder Mundial em Aves: Através de marcas como a Pilgrim’s Pride (PPC) e a Seara.
- Segunda Maior em Suínos: Com forte presença na Europa e América do Norte.
Marcas Fortes e Presença nos 6 Continentes
A força da JBS reside na sua capacidade de diversificação. A empresa não vende apenas “commodity”; ela construiu um portfólio de marcas icônicas que estão no dia a dia do consumidor, como Seara, Swift, Friboi, Moy Park e Primo.
Além disso, sua estrutura geográfica em seis continentes atua como uma proteção natural para os acionistas. Se um mercado enfrenta desafios sanitários ou econômicos, a JBS consegue compensar a produção e a receita através de suas outras unidades globais. Em 2024, essa engrenagem gerou uma receita líquida monumental de R$ 417,0 bilhões.
Resiliência e Governança: O Episódio “Joesley Day”
Nenhuma trajetória de gigante é isenta de desafios. Em sua história recente, a JBS enfrentou severas crises de imagem e governança, destacando-se os eventos conhecidos como “Joesley Day” em 2017. Naquele momento, o mercado questionou a sustentabilidade do negócio diante de acordos de leniência envolvendo sua controladora, a J&F.
No entanto, a companhia demonstrou uma resiliência operacional rara. Através do fortalecimento de seus programas de compliance e da profissionalização da gestão, a JBS não apenas manteve sua liderança, mas acelerou sua expansão internacional e consolidou sua estrutura de capital, culminando na estratégia de dupla listagem (B3 e NYSE) para aumentar ainda mais sua transparência e acesso a investidores globais.
A Conquista de Wall Street e a Dupla Listagem

Um dos movimentos mais estratégicos da história recente da JBS foi a implementação da sua dupla listagem, concluída em 06 de junho de 2025. Através desse processo, a companhia passou a ter suas ações (Class A Common Shares) listadas na New York Stock Exchange (NYSE), sob o veículo global JBS N.V..
Mas o que isso significa para o investidor brasileiro?
- BDRs na B3: Embora a sede corporativa tenha migrado para a Holanda, a JBS continua acessível na Bolsa brasileira através de BDRs Patrocinados Nível II. Cada BDR representa uma ação listada nos EUA, permitindo que o investidor local continue sócio da gigante.
- Visibilidade Global: Ao estar na NYSE, a JBS ganha acesso direto aos maiores fundos de investimento do mundo, aumentando sua transparência e potencial de valorização ao ser comparada com outras gigantes globais do setor de alimentos.
Consequentemente, esse movimento consolida a JBS não apenas como uma empresa brasileira que exporta, mas como uma multinacional de fato, com governança e estrutura de capital alinhadas aos mais rigorosos padrões internacionais.
Uma Fortaleza no Prato do Mundo
Analisar a JBS é perceber que o valor da companhia está na sua escala imbatível e na diversificação de riscos. Com um lucro líquido de R$ 10,7 bilhões em 2024 e uma plataforma que agora inclui até o setor de ovos (com a aquisição da Mantiqueira), a JBS prova que é uma engrenagem vital para a segurança alimentar global.
Em suma, para o investidor que busca solidez, a JBS representa a união entre a tradição do campo brasileiro e a eficiência da maior multinacional de alimentos do mundo.
